Há candidatos que tratam debates como se fossem tempestades inesperadas: olham para o céu, veem nuvens e imediatamente correm para dentro de casa. Dizem que não vale a pena sair, que “vai chover bobagem”, que o clima não está bom, que o guarda‑chuva não combina com o figurino. Mas o eleitor percebe quando alguém foge da chuva porque sabe que não sabe nadar.
Debate não é bobagem. Bobagem é achar que o eleitor não merece ver quem pretende governar sendo confrontado, questionado e desafiado. É curioso: alguns candidatos passam meses dizendo que têm as melhores ideias, as melhores propostas, a melhor equipe — mas basta aparecer um palco com microfones iguais para todos que, de repente, o discurso muda. “Não vou me misturar”, “não vou perder tempo”, “não vou discutir trivialidades”. A ironia é que, ao tentar parecer superior, acabam parecendo apenas inseguros.
Porque quem tem convicção não teme perguntas. Quem tem preparo não teme improviso. Quem tem projeto não teme contraditório. Fugir do debate é como fugir de prova oral: você pode até escapar da sala, mas não engana o professor — e, no caso da política, o professor é o eleitor.
E há ainda o detalhe mais saboroso: quando alguém diz que não vai ao debate porque “não quer discutir bobagens”, está dizendo, sem perceber, que considera bobagem tudo aquilo que o público quer ouvir. Saúde, educação, segurança, economia… bobagens? Não. Bobagem é achar que governar é só aparecer em vídeo bem editado, sem enfrentar perguntas que não foram previamente aprovadas pela assessoria.
No fim, a ausência vira um atestado. Não de superioridade, como alguns tentam vender, mas de desconforto. Desconforto com o confronto, com a transparência, com a imprevisibilidade — elementos que fazem parte da vida real, aquela que o eleitor vive todos os dias.
Quem teme o debate, teme o eleitor. E o eleitor, quando percebe isso, raramente esquece.