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QUEM SERÁ O PRÓXIMO CULPADO?

Durante anos, a explicação para os problemas do Brasil cabia em duas palavras: herança maldita.

Era uma fórmula simples e eficiente. O governo assumia, encontrava dificuldades e apontava para o antecessor. Funcionava bem. Afinal, sempre é mais confortável administrar a versão dos fatos do que os próprios fatos.

A teoria tinha prazo de validade, mas ninguém parecia muito preocupado com isso.

Até surgir um detalhe inconveniente: e quando o governo é reeleito? Ou quando retorna ao poder depois de já ter governado por tantos anos?

Nesse caso, culpar o passado começa a produzir situações constrangedoras. Em algum momento, o governo percebe que o principal responsável pela herança recebida pode ser o mesmo sujeito que agora reclama dela.

O espelho, infelizmente, identifica e não aceita réplica.

Foi então que a culpa precisou se modernizar e buscar novos mercados.

Se a economia não reage, a explicação pode estar em Washington.

Se os preços sobem, talvez seja uma guerra do outro lado do planeta.

Se os indicadores decepcionam, certamente existe alguma turbulência internacional disponível para assumir a responsabilidade.

É claro que fatores externos influenciam qualquer país. O curioso é que eles costumam ganhar protagonismo exatamente quando as explicações domésticas começam a faltar.

No Brasil, a culpa é uma espécie de viajante profissional.

Primeiro foi o governo anterior.

Depois, o Congresso.

Depois, os deputados e senadores.

Depois, o mercado.

Depois, o Banco Central.

Depois, os Estados Unidos.

Depois, alguma crise internacional.

E, quando nada disso basta, sempre existe algum fator externo convenientemente disponível para assumir a responsabilidade.

A lista permanece em permanente atualização.

Porque, na política brasileira, encontrar culpados costuma ser bem mais rápido do que encontrar soluções.

Resolver problemas exige diagnóstico, planejamento e resultados.

Transferir responsabilidades exige apenas  um pouco de criatividade e cinismo.

O único lugar onde a culpa raramente consegue chegar é ao gabinete de quem governa.

E assim seguimos, aguardando a próxima justificativa oficial.

Afinal, se existe algo realmente inesgotável na política brasileira, não são os problemas.

São os culpados.

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LIVROS

Tidinha uma história de família

A história contada neste livro teve início em meados da década de 1940, na antiga Vila do Cumbe – hoje município de Euclides da Cunha – a partir da união entre Glicério Lívio de Abreu e Hilda Campos Silva, carinhosamente chamada por todos de Tidinha.

Seguindo em frente

“Seguindo em frente” conta uma história real de um casal oriundo do sertão agreste baiano, tendo como principal personagem Tidinha, uma mulher destemida e carismática que, por meio da sua união com Glicério, formou uma numerosa família de nove filhos.

Testagrossa: Uma história de lutas

A No título do livro utiliza-se a palavra “lutas” para fazer menção às diversas lutas travadas por Toinho, não apenas aquelas que exigiram punhos cerrados e valentia, mas também as que testaram sua determinação, seus conflitos internos, sua compaixão e sua fé na humanidade, já que, embora ele sempre tenha sido apontado como uma pessoa de temperamento forte e “brigão”, ele foi de fato uma pessoa justa, protetora, carinhosa e prestativa, que sempre buscou ajudar todos ao seu redor. E foi assim que Toinho conquistou o respeito e a admiração de todos.