A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de indicar novamente Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, “doa a quem doer”, reacende um debate que vai além da política do dia: trata-se de respeito institucional e, sobretudo, de respeito ao próprio indicado.
Jorge Messias é um jurista de trajetória sólida, reconhecido por sua formação e por sua atuação técnica. Justamente por isso, causa estranheza vê-lo colocado no centro de um embate político que nada tem a ver com sua competência. Sua rejeição no Senado — a primeira em mais de 130 anos — não se deu por falta de currículo, mas por um ambiente político contaminado, como o próprio presidente afirmou. Ainda assim, é preciso reconhecer: o Senado exerceu sua prerrogativa constitucional. Democracia é isso — pesos, contrapesos e limites ao poder de qualquer governante.
Ao insistir na recondução imediata do nome de Messias, o presidente arrisca transformar um jurista respeitado em peça de um jogo político desgastante. E é justamente por respeito à sua biografia que muitos consideram que Messias deveria declinar do convite. Aceitar a indicação pela segunda vez, nessas circunstâncias, pode colocar em xeque a independência que se espera de um ministro do STF e ainda aprofundar tensões entre Executivo e Senado.
O presidente indica, sim. Mas o Senado sabatina, avalia e pode recusar. É assim que funciona em qualquer democracia madura. Repetir a indicação sem recompor pontes políticas não fortalece instituições — apenas expõe o indicado a novo desgaste.
Se o objetivo é defender o interesse público, como disse o presidente, então é preciso começar respeitando as regras do jogo e, sobretudo, respeitando o próprio Messias, cuja trajetória merece ser preservada acima das disputas momentâneas.