A política está presente na sua vida. Participar faz diferença.

O problema não é ser pobre. O problema é usar o pobre.

No Brasil, especialmente aqui no Nordeste, a pobreza sempre foi tratada como se fosse um patrimônio político. Não um problema a ser resolvido, mas um troféu para ser exibido. Por isso não surpreende quando um governador diz que o “maior erro” de seu aliado foi “cuidar o tempo todo dos pobres”. A frase vem embrulhada como autocrítica, mas o cheiro é de outra coisa: a tentativa de transformar a pobreza em desculpa, em álibi, em identidade política permanente.

E aí entra a ladainha do “não tive berço de ouro”, como se diploma, estudo e oportunidade fossem crimes contra o povo. A ironia é que, enquanto se romantiza a própria origem humilde, o mesmo discurso tenta convencer que quem estudou demais não pode governar. Como se a competência fosse inimiga da periferia. Como se o pobre tivesse que permanecer pobre para manter viva a narrativa de quem diz governar “para o povo”.

Enquanto isso, nas matérias que circularam, o debate ético vai descendo a ladeira. Tem político reclamando da Polícia Federal porque a foto do dinheiro apreendido ficou feia. Tem justificativa dizendo que pegar carona em jatinho é só “amizade”. Tem quem ache normal receber ingressos de empresários investigados, como se fosse cortesia de São João. E tem quem diga que tudo isso é “retórica hipócrita”, mas continue tentando normalizar o anormal.

O problema não é ser pobre. O problema é usar o pobre como escudo.

É transformar a pobreza em argumento moral, enquanto se tenta desviar o foco de suspeitas que precisam ser esclarecidas. É fingir que ética é opcional, desde que o discurso seja popular. É achar que o povo não percebe quando a conversa começa a cheirar a coisa errada.

Só que o Nordeste percebe. Sempre percebeu. Aqui, ninguém precisa de berço de ouro para saber quando estão tentando vender cabrito sem ter cabra. E como já dizia o Barão de Itararé, citado nas matérias: “quem cabritos vende e cabras não tem, de algum lugar lhe vem.”

E o povo sabe exatamente de onde vem.

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LIVROS

Tidinha uma história de família

A história contada neste livro teve início em meados da década de 1940, na antiga Vila do Cumbe – hoje município de Euclides da Cunha – a partir da união entre Glicério Lívio de Abreu e Hilda Campos Silva, carinhosamente chamada por todos de Tidinha.

Seguindo em frente

“Seguindo em frente” conta uma história real de um casal oriundo do sertão agreste baiano, tendo como principal personagem Tidinha, uma mulher destemida e carismática que, por meio da sua união com Glicério, formou uma numerosa família de nove filhos.

Testagrossa: Uma história de lutas

A No título do livro utiliza-se a palavra “lutas” para fazer menção às diversas lutas travadas por Toinho, não apenas aquelas que exigiram punhos cerrados e valentia, mas também as que testaram sua determinação, seus conflitos internos, sua compaixão e sua fé na humanidade, já que, embora ele sempre tenha sido apontado como uma pessoa de temperamento forte e “brigão”, ele foi de fato uma pessoa justa, protetora, carinhosa e prestativa, que sempre buscou ajudar todos ao seu redor. E foi assim que Toinho conquistou o respeito e a admiração de todos.