Ao longo da minha vida profissional, ocupando cargos de gerência, aprendi uma lição que carrego até hoje. Em muitas reuniões e decisões importantes, sempre havia pessoas prontas para bater palmas para tudo o que o gerente dizia ou fazia. Confesso que isso sempre me causou estranheza.
Não porque eu esperasse oposição permanente, mas porque sabia que nenhuma pessoa, por mais preparada que seja, está certa o tempo todo. Por isso, eu costumava valorizar muito mais aquele colaborador que tinha coragem de discordar, apontar riscos ou mostrar uma visão diferente. Quando a crítica era feita com respeito e intenção construtiva, ela se tornava uma ferramenta valiosa para evitar erros e melhorar decisões.
Na vida pública não deveria ser diferente.
Vivemos tempos em que a divergência passou a ser confundida com inimizade. Quem pensa diferente muitas vezes é tratado como adversário a ser eliminado, e não como alguém que pode contribuir para o debate. No entanto, são justamente as sociedades mais maduras que entendem que o contraditório fortalece as decisões e aperfeiçoa os caminhos escolhidos.
Recentemente, li dois textos que reforçam exatamente essa reflexão. Um deles defendia a necessidade de o Brasil reaprender a discordar. Concordo plenamente. A democracia não exige unanimidade. Ao contrário, ela se sustenta na convivência entre diferentes visões, opiniões e projetos. O que não podemos aceitar é transformar toda divergência em um confronto permanente.
As eleições ficaram para trás. Agora é hora de pensar no país. O Brasil enfrentará anos desafiadores e precisará de responsabilidade, diálogo e capacidade de construir consensos mínimos em torno dos grandes temas nacionais.
Não existe governo milagroso. Não há solução mágica para problemas complexos. O que existe são governos capazes de criar um ambiente favorável ao crescimento, ao aumento da produtividade, aos investimentos e à geração de oportunidades. Uma economia que cresce oferece às pessoas condições melhores para trabalhar, empreender, produzir e prosperar.
Por isso, mais do que torcer por governos ou partidos, deveríamos torcer pelo Brasil. E isso passa por aprender a ouvir críticas, aceitar opiniões diferentes e compreender que nem sempre quem critica é o inimigo. Muitas vezes, é justamente quem está tentando evitar que cometamos erros.