Minha gente, vou dizer uma coisa que muita gente pensa, mas poucos têm coragem de falar no microfone: a política da nossa cidade virou um espetáculo de baixaria, e dos piores. Parece até briga de vizinho por causa de cerca, só que com microfone, palanque e carro de som.
Aqui no nosso município, duas lideranças vivem se atacando como se fossem inimigos de novela mexicana. Um chama o outro de tudo quanto é nome — até de ladrão. Insulto é que não falta. Mas quando a gente olha para o estado e pro país… adivinhe? Estão todos juntinhos, sorrindo, posando pra foto, dizendo que fazem parte do mesmo grupo. É ou não é pra deixar o eleitor com a cabeça rodando igual pião de feira.
E o que aconteceu esses dias foi de lascar. Um dos lados veio lançar sua candidatura aqui e, em vez de falar de proposta, de futuro, de trabalho, preferiu jogar lama. Muita lama. Parecia até que tinham trazido um caminhão-pipa só de sujeira pra despejar no adversário.
Agora eu pergunto: cadê a liderança maior desse povo? Cadê o “chefe do grupo”, o “comandante”, o “líder estadual ou nacional” que deveria botar ordem na casa? Sumiu. Desapareceu. Ou pior: finge que não vê.
Porque, para eles, parece que vale tudo. Se xingar, pode. Se humilhar, pode. Se espalhar fofoca, pode. Se dividir a cidade no meio, pode. Desde que no final do dia levantem a bandeira deles, está tudo certo.
Isso não é liderança, minha gente. Isso é fraqueza. É como aquele dono de bar que deixa a confusão correr solta, desde que o povo continue comprando cerveja.
E o eleitor? Fica como? Fica perdido, confuso, sem saber quem é aliado de quem, quem fala a verdade, quem está representando quem. Porque aqui embaixo é guerra, mas lá em cima é abraço. Aqui é tapa, lá é sorriso. Aqui é acusação, lá é parceria. É um teatro tão malfeito que nem no circo da cidade aceitariam.
E eu vou dizer: isso é política predatória. É a política do “eu ganho, você perde”. Do “meu interesse primeiro, o povo depois”. Do “o que importa é o meu cargo, o resto que se vire”.
E aí eu fico pensando… Pelo desespero que alguns mostram pra se eleger ou se reeleger, parece que o cargo é mais lucrativo do que descobrir um poço de petróleo no quintal de casa. E não é petróleo fundo, não — é petróleo raso, daquele que você cava com a colher e já jorra.
E depois de ver tudo isso, fica uma pergunta que não quer calar: até quando a gente vai aceitar essa política, viciada, que só serve aos mesmos de sempre?
Porque o que não muda, apodrece. O que não renova, cria vício. E vício político, minha gente, é daqueles que só beneficiam quem já está lá dentro, agarrado no cargo como se fosse herança de família.
Quando a política não muda, ela vira propriedade. E quando vira propriedade, o dono não é o povo — são eles.
Por isso eu digo: ou a gente exige mudança, ou eles continuam fazendo a festa. Não é mudar só de nome não. É mudar postura, respeito, responsabilidade. Porque, se a gente não cobrar renovação, eles vão continuar transformando a cidade num ringue, o eleitor numa peça de xadrez e a política num negócio mais lucrativo que petróleo brotando no quintal.
E aí, minha gente, quem perde não é candidato A ou B. Quem perde é a cidade. Quem perde é o povo. Quem perde somos nós.