O anúncio da Petrobras sobre a tal “presença de hidrocarbonetos” na Margem Equatorial virou festa de aniversário de criança: político fantasiado, imprensa em modo torcida organizada, ampola de petróleo desfilando como troféu. Uma papagaiada completa — como diria o próprio Lula quando algo lhe azeda o humor.
O problema é que, por enquanto, a descoberta é só isso: descoberta. Nem se sabe se é petróleo ou gás, quanto tem, se presta, se dá dinheiro, se dá prejuízo. Mas bastou pingar uma gota de esperança para virar espetáculo eleitoral. A ciência pede calma; a política pede foto.
Enquanto isso, o Brasil segue ignorando um fato que não rende selfie em navio‑sonda: o Nordeste já produz mais energia limpa do que consegue usar. Parques eólicos e solares geram um potencial gigantesco, mas boa parte fica presa por falta de linhas de transmissão, planejamento e coordenação do próprio governo. É como ter uma caixa d’água cheia no sertão e não ter cano para levar água até a torneira.
A ironia é simples: fazem carnaval por um poço que ninguém sabe se vai virar petróleo, enquanto deixam energia limpa, barata e abundante mofando no vento e no sol porque o País não consegue organizar sua própria infraestrutura.
No fim das contas, o Brasil não sofre por falta de energia — sofre por falta de rumo.