O Brasil está vendo uma confusão daquelas entre duas instituições que deveriam ser exemplo de respeito às leis: o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR). A crise começou depois que a Polícia Federal divulgou um relatório envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. O documento trouxe suspeitas sérias e mostrou que tem muita coisa acontecendo por trás das cortinas do poder.
Quando o ministro André Mendonça resolveu tornar o relatório público, o clima dentro do STF esquentou. A PGR, comandada por Paulo Gonet, correu para pedir que a investigação fosse anulada, dizendo que o processo tinha erros. Mas essa atitude não agradou nem dentro do próprio Ministério Público Federal. Procuradores experientes disseram que ficaram “desanimados” ao ver o nome do chefe citado no relatório. Muitos acham que ele não deveria continuar no caso e que o certo seria deixar tudo nas mãos do vice-PGR, Hindemburgo Chateaubriand.
Essa confusão reacendeu uma conversa antiga: a escolha do procurador-geral da República. Muita gente dentro do MPF defende que o cargo volte a ser escolhido pela lista tríplice, para evitar influência política e garantir mais independência. Eles dizem que o MPF não pode ser puxado para dentro de uma crise que começou no próprio Supremo.
No STF, o presidente Edson Fachin tenta acalmar os ânimos, dizendo que quem ocupa cargo tão alto precisa agir com responsabilidade. Mas a verdade é que o tribunal vive um momento raro e perigoso: pela primeira vez, se fala abertamente na possibilidade de um ministro ser investigado pelos próprios colegas. Isso mostra o tamanho da crise.
E enquanto tudo isso acontece, o Congresso Nacional — que deveria fiscalizar, cobrar e agir — permanece calado. O Senado, que é justamente a casa responsável por aprovar ou rejeitar indicações para o STF e para a PGR, assiste a tudo de longe, como se não tivesse nada a ver com a bagunça. Essa omissão só aumenta a sensação de que as instituições estão desconectadas do povo e dos problemas reais do país.
Quando instituições tão importantes começam a brigar entre si e quem deveria vigiar fica de braços cruzados, quem sofre é o povo. Fica difícil acreditar que estão trabalhando pelo bem do país quando parece que cada um está defendendo seus próprios interesses.
Conclusão
A democracia só funciona de verdade quando existe alternância de poder. Quando as mesmas pessoas, os mesmos grupos e as mesmas ideias ficam mandando por muitos anos, a estrutura vai ficando viciada, cheia de defeitos e interesses escondidos. É isso que estamos vendo agora: uma crise que nasce da permanência longa de uma estrutura que já não representa o povo como deveria.
E é justamente por isso que o voto é tão importante. É o único momento em que o povo é chamado para opinar nessa bagunça toda. É a única ferramenta que o cidadão tem para mudar o rumo do país, tirar quem não está fazendo o certo e colocar gente nova para tentar consertar o que está errado.
Mas, diante de tudo isso — a crise no STF, a confusão na PGR, a omissão do Congresso e o silêncio do Senado — o sentimento que fica é duro:
Em quem confiar.?