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EDITORIAL | OS JABUTIS QUE SOBEM NA ÁRVORE DA POLÍTICA BRASILEIRA

Há símbolos que explicam o Brasil melhor do que longos tratados sociológicos. O jabuti em cima da árvore é um deles. No imaginário popular, o recado é simples: aquele bicho não chegou lá sozinho. Alguém o colocou. E quando essa imagem é transportada para a política, ela deixa de ser metáfora folclórica e se torna diagnóstico.

O país convive há décadas com sucessões construídas não pela competência, mas pela conveniência. São jabutis que ascendem ao topo do poder por obra de padrinhos, não por mérito. E quando isso acontece, o prejuízo não é apenas simbólico — é institucional.

A lógica do jabuti: perpetuar grupos, não projetos

Em democracias saudáveis, a renovação política exige formação de quadros, debate interno, avaliação de desempenho e responsabilidade com o futuro. No Brasil, porém, a prática recorrente é outra: líderes escolhem sucessores que garantam sua permanência indireta no comando, mesmo quando já não podem ocupar o cargo.

O jabuti político cumpre uma função clara: manter o grupo no poder, ainda que à custa da qualidade da gestão. Ele não é preparado para governar; é preparado para obedecer.

O caso baiano como espelho de um problema nacional

A análise publicada por Raul Monteiro – Jerônimo não entendeu que precisava ter se preparado para tentar a reeleição, por Raul Monteiro* | Política Livre sobre a trajetória do governador Jerônimo Rodrigues expõe esse fenômeno com nitidez. Segundo o artigo, sua candidatura não nasceu de um processo natural de renovação dentro do PT, mas de improviso — resultado da falta de articulação de Rui Costa e da necessidade de Jaques Wagner de evitar que o partido ficasse sem rumo às vésperas da eleição.

Não se trata aqui de julgar pessoas, mas de observar o padrão: quando a escolha de um governante é feita às pressas, sem debate interno consistente e sem construção de liderança, o risco de fragilidade administrativa aumenta. E, como aponta o texto, as dificuldades enfrentadas por Jerônimo na disputa atual refletem esse processo.

Pesquisas — sempre sujeitas a vieses e limitações — indicam que o governador enfrenta desafios para consolidar sua imagem e seu desempenho. Não cabe a este editorial prever resultados, mas registrar o fato: quando o jabuti sobe sem preparo, a disputa para permanecer na árvore se torna mais árdua.

O custo democrático dos jabutis

A presença de jabutis no topo da política não é apenas um problema de gestão. É um problema de democracia. Quando sucessões são definidas por padrinhos, não por critérios técnicos, o interesse público perde espaço para interesses privados. O Estado deixa de ser projeto coletivo e passa a ser extensão de grupos.

A democracia enfraquece quando líderes não formam sucessores capazes de governar melhor do que eles próprios. E se enfraquece ainda mais quando a população é convocada a legitimar escolhas feitas sem transparência ou debate.

O que deveria substituir o jabuti

O Brasil precisa de líderes que subam na árvore por conta própria. Precisa de partidos que formem quadros, que discutam ideias, que apresentem nomes preparados para governar. Precisa de sucessões planejadas, não improvisadas.

A longevidade de qualquer grupo político só se sustenta quando cada sucessor é mais competente que o anterior. Quando a árvore cresce porque suas raízes são fortes — não porque alguém empurrou um jabuti para o galho mais alto.

Conclusão

Os jabutis da política brasileira são sintomas de um sistema que ainda resiste à meritocracia real. Enquanto continuarmos aceitando que eles subam por mãos alheias, continuaremos convivendo com governos frágeis, sucessões improvisadas e projetos de poder que servem mais aos padrinhos do que ao povo.

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LIVROS

Tidinha uma história de família

A história contada neste livro teve início em meados da década de 1940, na antiga Vila do Cumbe – hoje município de Euclides da Cunha – a partir da união entre Glicério Lívio de Abreu e Hilda Campos Silva, carinhosamente chamada por todos de Tidinha.

Seguindo em frente

“Seguindo em frente” conta uma história real de um casal oriundo do sertão agreste baiano, tendo como principal personagem Tidinha, uma mulher destemida e carismática que, por meio da sua união com Glicério, formou uma numerosa família de nove filhos.

Testagrossa: Uma história de lutas

A No título do livro utiliza-se a palavra “lutas” para fazer menção às diversas lutas travadas por Toinho, não apenas aquelas que exigiram punhos cerrados e valentia, mas também as que testaram sua determinação, seus conflitos internos, sua compaixão e sua fé na humanidade, já que, embora ele sempre tenha sido apontado como uma pessoa de temperamento forte e “brigão”, ele foi de fato uma pessoa justa, protetora, carinhosa e prestativa, que sempre buscou ajudar todos ao seu redor. E foi assim que Toinho conquistou o respeito e a admiração de todos.