Minha gente, a conversa hoje é sobre estrada — coisa que mexe com a vida de todo mundo no Nordeste. Quem pega BR sabe: quando a rodovia é boa, a viagem anda. Quando é ruim, só Deus na causa.
Recentemente saiu a notícia da nova concessão da Rota dos Sertões, que pega 502 km da BR-116 e BR-324, entre Feira de Santana (BA) e Salgueiro (PE). Promete duplicação, promete melhoria, promete desenvolvimento. E isso é bom demais.
Mas antes de seguir, vamos lembrar de uma coisa: A BR-324, no trecho Salvador–Feira, foi pedagiada lá em 2009, no governo de Jaques Wagner na Bahia e Lula no Brasil. Todo mundo sabe o que virou: estrada ruim, cheia de buraco, perigosa. Quando a concessão acabou em 2025, piorou ainda mais. Quem passa ali sabe que não é exagero.
Agora vem essa nova concessão da Rota dos Sertões, cortando cidades como Santa Bárbara, Serrinha, Araci, Tucano, Euclides da Cunha, Canudos, Abaré, Cabrobó e Belém do São Francisco até chegar em Salgueiro. É um eixo de desenvolvimento gigante. Estrada federal boa traz emprego, comércio, frete mais barato e oportunidade pra quem vive no caminho.
E tem mais: esse trecho, que deveria ligar Feira direto a Salgueiro, foi desviado no passado por pressão política de Pernambuco. Jogaram a rota pra Senhor do Bonfim, Juazeiro e Petrolina, aumentando mais de 220 km pra chegar no mesmo canto. Se a estrada tivesse passado por Euclides da Cunha naquela época, hoje a cidade seria do tamanho de Feira de Santana — e digo isso sem medo de errar.
A SITUAÇÃO DAS BRs NA BAHIA É DE DOER
A Bahia é o maior estado do Nordeste e tem a maior malha de BRs da região: mais de 6.700 km. Mas sabe quanto disso é duplicado? Menos de 3%. Pouco mais de 200 km.
Enquanto isso, estados bem menores — Alagoas, Sergipe, Paraíba, Rio Grande do Norte — já duplicaram muito mais. Proporcionalmente, fizeram até cinco vezes mais do que a Bahia.
E quem sofre? É o caminhoneiro que passa horas parado. É a família que viaja com medo. É o comerciante que paga frete caro. É a economia que não anda porque a estrada não ajuda.
A Bahia não merece ficar pra trás. A Bahia não pode ser a exceção negativa do Nordeste.
QUEM DECIDE TAMBÉM TEM RESPONSABILIDADE
Vamos falar a verdade: isso não caiu do céu. É resultado das escolhas dos políticos que governam o estado e influenciam Brasília há anos. Não é briga, não é ataque, não é bandeira. É só reconhecer que quem manda também responde pelo que foi feito — e pelo que não foi.
A nova concessão da Rota dos Sertões é bem-vinda. Mas não resolve tudo. A Bahia precisa de planejamento sério, metas claras e cobrança do povo.
Estrada duplicada não é luxo. É segurança. É desenvolvimento. É respeito ao povo nordestino.
O povo merece estrada boa. O povo merece prioridade. O povo merece ser ouvido.
E AGORA, COM AS ELEIÇÕES CHEGANDO?
Com a eleição de outubro chegando, começam as promessas. O grupo político que governa Bahia e Brasil há quase 20 anos volta a dizer: “Vamos fazer mais.” “A Bahia precisa continuar o trabalho.”
Mas fica a pergunta: fazer mais o quê? Vinte anos já foram dados.
MUDAR É PRECISO