O Brasil vive repetindo que é “o país do futuro”, mas esse futuro parece que nunca chega. E não é por falta de aviso. Décadas passam, governos mudam, e continuamos presos no mesmo buraco: baixa produtividade, pouca competitividade e escolhas que empurram o país para trás. É como se estivéssemos numa estrada esburacada, andando de carro velho, enquanto o resto do mundo passa voando.
Produtividade, para começo de conversa, não é trabalhar mais. É trabalhar melhor. É tirar mais resultado do mesmo tempo. É o pedreiro que levanta duas paredes enquanto outro levanta uma. É a costureira que faz dez peças no tempo em que outra faz cinco. É o país que transforma esforço em riqueza. E nisso, infelizmente, o Brasil patina há muito tempo.
A prova está no ranking mundial de competitividade do IMD, um dos mais respeitados do planeta. O Brasil aparece em 65º lugar entre 70 países. Só ficamos na frente de Botsuana, Mongólia, Nigéria, Namíbia e Venezuela. Entre nossos vizinhos da América Latina, perdemos para todos. É como se estivéssemos numa corrida e, mesmo com tamanho continental, recursos naturais e um povo trabalhador, insistíssemos em correr de chinelo.
O ranking escancara algo que o brasileiro sente no bolso e no dia a dia: crescemos aos trancos, mas não nos desenvolvemos. A economia até dá uns suspiros de vez em quando, mas falta base sólida. Falta planejamento, falta continuidade, falta coragem para fazer o que precisa ser feito. E o Estado, que deveria ajudar, mais atrapalha do que resolve. No item “eficiência governamental”, ficamos em 69º lugar entre 70 países. É quase o último lugar. Isso significa burocracia que trava, educação fraca, desperdício de dinheiro público, políticas que mudam a cada vento e um país que não consegue se organizar para crescer de verdade.
Enquanto isso, países que eram mais pobres que o Brasil há poucas décadas — como Coreia do Sul, China e Taiwan — deram um salto gigantesco. Investiram pesado em educação, tecnologia e infraestrutura. Fizeram reformas duras, pensaram no longo prazo, encararam a realidade. Hoje, têm produtividade muito maior, renda muito maior e qualidade de vida muito maior. Eles escolheram avançar. Nós escolhemos empurrar com a barriga.
Os números não deixam dúvida. Entre 1980 e 2025, o PIB per capita mundial cresceu 675%. O do Brasil cresceu 428%. O mundo correu, e nós fomos andando devagarinho, olhando para o chão, tropeçando nos mesmos erros de sempre.
E, como se não bastasse, o país agora discute acabar com a escala 6×1. Todo trabalhador merece descanso e dignidade, claro. Mas existe um detalhe que ninguém gosta de encarar: os países que têm jornadas menores só chegaram lá porque antes ficaram muito mais produtivos. Queremos trabalhar menos sem antes produzir mais. É como querer morar numa casa nova sem fazer o alicerce. Se a produtividade já é baixa, reduzir horas sem aumentar eficiência pode jogar o país ainda mais para trás.
O mais triste é que não falta potencial. O Brasil tem gente criativa, tem território, tem recursos naturais, tem diversidade econômica. O que falta é decisão. Falta parar de escolher o atalho. Falta parar de cair na conversa fácil. Falta parar de trocar o futuro por um alívio momentâneo. Décadas de escolhas ruins nos trouxeram até aqui. E enquanto continuarmos escolhendo improviso, populismo e soluções de curto prazo, continuaremos sendo o país que “poderia ter sido”.
Os rankings não mentem. O Brasil decidiu ser medíocre. Mas ainda dá tempo de decidir ser grande. A pergunta é: vamos continuar aceitando esse destino ou vamos, finalmente, escolher o caminho certo?